terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Relato do papai II

Foram momentos de angustia. Desde às 15h até às 17h eu acompanhei a mamãe no trabalho de parto. Foram horas que não passavam. Me senti tão pequeno perto dela, tão impotente, tão patético, que fiquei pensando se poderia encará-la novamente olhos nos olhos.

Não adiantava apenas segurar-lhe as mãos ou tentar abanar-lhe. Tudo isso me pareceu muito pouco, até mesquinho, se comparado com o esforço que ela fazia.

A bolsa estourou enquanto a mamãe era levada para dar a luz (eu só fiquei sabendo disso depois). Chegamos na sala de parto e a mamãe pedindo para tomar a peridural, e aquele monte de enfermeiras se aprontando para fazer o parto.

Elas simplismente não iriam dar a anestesia. Segundo elas, o Rafael já havia descido e a pior parte já havia passado, portanto, não havia mais necessidade de anestesia.

Nessa hora passou duas coisas pela minha cabeça:
1) Matar todas as enfermeiras que estavam ali – tudo bem, matar não, mas eu dava umas porradas em uma ou duas.
2) Elas estavam me dizendo qual era a situação e eu não era o primeiro a passar por aquilo. Elas, ao contrário, passavam por aquilo quase todos os dias. Resolvi, então, confiar.

Fiz várias orações com a mão na cabeça da mamãe, mas ela nem se deu conta. Quando acabaram de arrumá-la para o parto, a Dra Isabela chegou. Confirmou que não precisava dar a anestesia e foi fazer o trabalho dela.

O Rafael nasceu às 17h15, forte e saudável. Uma benção divina.

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